quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O caminho da estação

Não é estranho o rumo que as coisas estão tomando?
Eu lembro que eu andava sempre em um caminho, subia e descia aquelas escadas, sorria pra todos, ria de tudo. Eu lembro muito bem das pessoas que eu dava valor. Eu lembro exatamente das que me davam valor.
Tem umas que eu não consigo mais lembrar. Estranho, não é? Normal, eu diria. Acontece.
Lembro de te ver lá da janela, lembro de todas as noites, dos passeios, das tardes, das praças, dos sorrisos, das lembranças. De todo mundo.
Eu comecei a fazer aquele caminho da estação de trem. Algumas pessoas já tinham ido embora, outras ainda estavam ali, e outras eram novas.
Mas todas elas faziam questão de passar por mim, e deixar alguma coisa pra mim, pra eu lembrar a vida toda.
O caminho da estação era bem simples. Eu só tinha que sair de casa todos os dias, pegar um daqueles ônibus lotados, e descer na estação. E eu lembro de todos os meus pensamentos enquanto estava nela. Até chegar lá embaixo, pegar um ônibus vazio, entrar naquele prédio, pegar o elevador e sentar na minha mesa e tomar meu café olhando pros aviões do aeroporto através daquela janela gigante.
Lembro das pessoas que passavam as tardes comigo. E de como eu fazia amizade rápido, ou era com o colega do lado, ou com a telefonista, a faxineira, a tia do café, o diretor da empresa, a dona do restaurante lá de baixo, as pessoas de outros setores.
Mas aquele tempo se foi.
Agora meu caminho é simples. Só que é complicado. Eu só preciso pegar um ônibus. Pronto.
Não tem mais a estação. E parece que não tem as outras pessoas também. Obviamente não tem aviões. Nem café tem mais!
Não que isso seja grande coisa, mas eram pequenas coisas que me faziam sentir bem.
Parece que naquele caminho da estação as coisas eram bem mais simples e fáceis. E como eu era feliz.
Hoje tá estranho. Deu uma virada muito grande no tempo, nas coisas, as pessoas do nada mudaram e eu mudei com elas. O jeito que eu passei a analisar as coisas e o ser humano evoluíram mais.
Eu tenho muita história pra contar.
Talvez isso seja um problema. Porque as vezes eu não tenho alguém fixo pra contar.
Eu simplesmente falo de assuntos específicos com determinadas pessoas.
Aqui eu conto tudo pro mundo todo.
To aqui contando da minha vida pra um brasileiro, pra um russo, um americano, um coreano, um alemão, um francês, um árabe, um português, e pra todo o resto que eu sei que lê esse blog.
Aí eu paro pra pensar se nenhum de vocês pensa assim, que nem eu, se tem a forma de escrever parecida. E penso que muitos de vocês nem me conhece, sabe da minha vida, e muito menso eu de vocês.
Não sei onde isso tudo vai parar. Talvez pare numa outra estação, e não nessa parada de ônibus onde estou empenhada agora. Mas se parar numa estação, encontrarei um de vocês lá. Espero poder sorrir e dizer que consegui chegar a tempo.