quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

E o que tu desenharia?

Era linda.
A pele fria e branca, os cabelos presos de um jeito desarrumado.
Ela andava calmamente pelas ruas, gostava das ruas cheias de árvores, dessas que levavam até alguma praça.
Dava pra sentir a paz nos olhos daquela garota.
Ela guardava o mundo.
Escrevia pra ninguém. Escrevia o que queria ler, escrevia o que sentia vontade, escrevia o que sentia.
Não tinha alguém pra se importar, nem amar.
Na verdade ela nunca se interessava por alguém.
Ninguém nesse mundo era interessante aos olhos dela.
Não nesse mundo.
Todos começavam do mesmo jeito, terminavam todos iguais.
Era desanimador pra ela, um mundo com pessoas assim.
Então ela desenhava. Desenhava pra ninguém.
Desenhava o que queria ver, desenhava o mundo diferente, criava um mundo. Se apaixonou por um personagem.
Então um dia, a desenharam.
Linda, a pele branca, o cabelo desarrumado, gostava das árvores. Já não se podia sentir que era fria, mas dava pra sentir a paz no olhar dela. Agora ela era um desenho, uma personagem desenhada em uma praça.
Encontrou seus desenhos perdidos, suas histórias, encontrou o personagem por quem se apaixonara.
Então os dois desenhavam juntos, o mundo em que queriam morar, as pessoas que queria ter por perto, desenharam os desenhos, desenharam as pessoas que as desenharam, desenharam até quem nunca tinham visto.

Então desenharam você.