terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Depois de Tanto Tempo

Eu costuma ir pra lá. Eu dediquei uma boa parte da minha vida indo naquele lugar.
Eu muitas vezes levava uns bons tapas na cara, mas eu sempre sentia vontade de voltar.
E eu nunca sabia o motivo.
Não entendia como eu podia gostar tanto de ir pra um lugar que me fazia chorar várias vezes.
Aconteceram umas coisas e eu deixei aquilo de lado. Mas nunca esqueci.
Juntei alguns amigos, algumas coisas pra fazer e resolvi levar a vida do meu jeito.
A verdade é que a vida não é do meu jeito. Nunca foi.
E agora lembro daquele lugar. E depois de três anos, eu consegui entender, que a única coisa que me fazia querer ir pra lá sempre, era o amor.
Eu tenho bons amigos sim. Mas parece que falta alguma coisa.
Sempre que eu estou com algum problema eu escuto deles:
"Não esquenta com isso" "Vai passar" "Não dá bola"
Mas na verdade o que eu queria mesmo é que eles não me falassem nada.
Só me abraçassem forte e me deixassem chorar.
Sem me questionar, sem dizer nada.
Que chorassem comigo, se quisessem.
Porque o abraço que eles me davam já era uma compreensão imensa.
Parece até que eles sentiam o que eu tava sentindo.
Parece até que eles sabiam o que eu tava passando.
Então foi isso que eu aprendi.
Que nada nessa vida pode ser melhor, ou maior do que ter e sentir o amor.

Problema

Engraçado como a vida cobra muito o tempo todo.
Ela nunca dá folga. Nem quando a gente está de folga.
Então tu fica triste um dia, e teus amigos te animam, te distraem, te ajudam.
Mas é estranho que no outro dia tu continua triste, e percebe que os teus amigos estão com problemas.
Então repensa tudo e vê que tu não tem problema nenhum.
O que tu vai fazer se um dia estiver mal e teus amigos também estiverem?
Vão ficar mal juntos, provavelmente.
E aí a vida cobra.
Tu tem que mostrar ser forte, ser amigo pra qualquer hora.
Não importa o momento ou o problema. Tentar apenas esquecer os próprios problemas e ajudar quem sempre te ajuda.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Estranho

Tudo bem.
Eu entendo esse "espírito de velho" de vocês.
Compreendo e entendo perfeitamente que nós crescemos.
Algumas vontades passam, outras ainda vão passar.
Algumas amizades passaram, outras vão vir, e outras vão passar.
Como o vento. A gente nem nota.
E quando pára pra notar é quando bate outro vento no rosto.
Quando pára pra pensar e dar valor, é quando perde.
Seres humanos são tão estranhos, e eu passo um bom tempo tentando entender.
Tentando me entender.
Penso em quantas vezes no meu dia eu não penso no estranho comportamento de vocês.
Cada vez que vejo alguém rindo e não posso rir, cada vez que vejo alguém chorar e quero rir.
Toda vez que pego aquele ônibus de manhã e penso nas coisas que tenho que resolver, nas contas pra pagar, na minha vida, nas minhas decisões, e vejo o quão perdida estou.
Mas eu sei olhar em volta. Olho pro meu lado e vejo alguém chorando, vejo alguém abatido, ou vejo alguém de cadeira de rodas feliz.
Então volto a me perguntar se eu realmente tenho problemas.
Muitas vezes eu queria minhas vontades de volta.
Era bom sair no meio da noite com os amigos e não ter hora pra voltar, nem com o que se preocupar.
Mas como eu disse, nós crescemos.
Até podemos sair, ver um filme, tomar um chimarrão na praça. Mas sabemos que no outro dia temos que acordar cedo, temos que trabalhar, estudar pras provas da faculdade, pro vestibular e encontrar as mesmas pessoas no mesmo ônibus, com os mesmos problemas.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Infância

Eu tinha uns cinco anos. Fui morar lá naquela casa, naquele bairro bonito.
Ela tinha um portão muito grande, e não dava pra ver a rua. Tinha os muros muito altos e do lado de fora haviam plantas cheias de espinhos. Coroa de Cristo é o nome da planta. Apesar de às vezes eu me machucar, eu achava bonita, porque entre os espinhos haviam flores.
Eu imaginava que aquele jardim era o jardim do meu reino, e que a minha casa era o meu castelo.
Eu lembro que naquele jardim eu vi pela primeira vez um besouro rinoceronte. Também lembro da minha reação ao ver um rinoceronte tão pequeno. Eu sabia até onde ele morava, e as vezes eu ia visitar ele e contar pra ele as coisas que eu tinha aprendido. Aí, um dia, pelo caminho eu achei uma toca bem pequena, e um sapo saiu lá de dentro. Enfim, eu fiz amizade com o sapo também, inclusive dei um nome pra ele: Herbert.
O Herbert era um sapo bem simpático. Acho que ele gostava de me ouvir também.
Um dia eu achei um gafanhoto de noite, e peguei ele pra cuidar.
Fiz um jardim e uma piscina pra ele. Meu pai disse que ele não ia gostar muito.
Mas eu pensei: "Quem é que não quer ter uma piscina gigante e um jardim bonito?"
No outro dia eu lembro de chorar de raiva dos passarinhos que o devoraram de noite.
Eu tinha um cachorro também. O Joca. Ele era engraçado e muito grande. Ele gostava de brincar com a bolinha e me derrubava às vezes. Mas eu não lembro o que aconteceu com ele.
Tive um coelho. Ele fugia pra rua sempre.
Era engraçado ver o meu pai correndo atrás dele.
Eu cresci um pouco.
Então meu pai me deu uma bicicleta, e foi naquela casa que eu aprendi a andar, e cair todos os meus tombos. Eu tinha um punhado de amigos.
E lembro de passar a tarde toda fazendo corrida de bicicleta na rua.
E como tinham árvores naquela rua. Um dia bati em uma e caí.
Uma vez eu não entendi direito o que aconteceu. Meu pai começou a guardar todas as coisas, e todos os meus livros dentro de caixas.
Estávamos nos mudando de lá.
Eu lembro de todos os meus amigos me dando tchau pela janela do carro.
Eu fui embora de lá.
De vez em quando vou visitar uns amigos, e passo por lá.
A casa não tem mais o portão grande. Na verdade, a casa nem existe mais.
Mas sempre que eu passo lá na frente, eu me vejo correndo e andando de bicicleta, me vejo caindo um tombo e passeando com o Joca na rua.
É um tipo de lembrança boa. Que deixa uma saudade muito forte.
Daqui alguns meses eu vou fazer 19 anos, e às vezes encontro um besouro rinoceronte em alguma praça, ou algum sapo num dia de chuva. Sinto vontade de conversar com eles. Falar da infância.
Eu contava tudo, e eles nunca contaram nenhum segredo meu pra ninguém.
Mas hoje me sinto feliz em saber que tenho alguns amigos besouros e uns amigos sapos. Eles até parecem pessoas. Isso é estranho.