segunda-feira, 16 de julho de 2012

A jovem da noite fria

Antes que ela começasse a escrever, algo havia lhe chamado atenção.
Era algo muito simples, que talvez até passasse despercebido. Mas não passou.
Uma noite fria, uma doce melodia, e todas as suas lembranças voltaram.
Todas as pessoas estavam voltando, e ao mesmo tempo indo.
E ela era a única parada, no meio da multidão, naquela cidade tão iluminada.
Ela que sempre usava roupas tão escuras que destacavam a cor da pele tão clara.
Seus lábios avermelhados, talvez do frio que fazia lá fora.
As ruas que ela passara naquela noite, levavam ela a viver momentos muito distantes e ao mesmo tempo tão próximos, que ela já nem sabia o que a lembrava realmente.
As noites eram intermináveis. Todas elas.
E seus desenhos nunca haviam sindo encontrados pela rua.
De manhã, aquele menino ainda estava esperando o ônibus, e sempre esperava o ônibus quando ela estava se sentindo triste.
O menino não podia caminhar. Mas acordava cedo e ria de tudo, era feliz. Mesmo não podendo sentir suas pernas.
Ele era a alegria daquela menina na manhã tão fria.
Ora, está esfriando mais.
E essas pessoas na rua? Essas pessoas dormindo nas ruas.
Cada dia era algo, era  uma realidade diferente, mas só os desenhos não resolviam, só suas histórias não resolviam, e os livros eram apenas histórias.
As pessoas não eram as mesmas.
Os sentimentos mudavam a cada dia, mas ela não podia contar pra ninguém o que sentia.
Cartas: Era assim que ela se expressava.
E foram tantas cartas jogadas fora, e tantas cartas que já nem são lembradas.
Onde estão as cartas agora? O que elas diziam?
Era um turbilhão de perguntas e respostas de perguntas que ela nunca fazia.
E todos os dias ela pergunta, e o mundo responde com outras respostas.



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