"Eu não entendo as coisas que tu fala." - Disse ela num tom de voz preocupado.
Na verdade ninguém entendia nada naquela escuridão.
Só haviam alguns pensamentos soltos, algumas ideias.
Ela não parava de lembrar daquela vez. Daquela única vez.
Mas agora tava estranho, diferente.
"Pode me dizer o que eu tenho que fazer? Por favor, me ajuda a te ajudar!"
Ele não queria ajuda, ele não precisa de ninguém.
Era medo.
E tava escuro.
Na verdade o que iluminava o quarto era aquela luminária vermelha.
E a cama bagunçada?
Ainda está bagunçada, junto com as memórias sobre ela.
No emaranhado dos lençóis elas ficaram. Num mundo a parte.
Ora, será que alguma coisa que eu diga faz sentido?
Ah, se eu entendesse. Se eu soubesse o que eu quero...
Eu poderia me afogar, eu poderia me matar por dentro, eu poderia me jogar do alto de um prédio, só pra tirar minhas preocupações, só pra esquecer de tudo, pra tirar a dor.
Poderia vender meu coração, pra qualquer pessoa que passasse, ganhar um dinheiro bom e fugir daqui. Mas eu até que prefiro guardar ele por enquanto. Talvez um dia eu precise.
Enquanto essas coisas caminham na minha frente e passam pela minha cabeça, eu fico buscando uma droga, uma forma de me libertar.
De qualquer forma eu sei exatamente o que fazer, mas tenho medo de errar.
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